quinta-feira, janeiro 7

um poema sobre um / abacateiro no quintal

abacate servido pela avó com açúcar
de cana
no quintal
quando senta na viga (não, pilar)
de concreto pré moldado
joga os bagaços cortados
pelo avô na terra
de pilar (não viga)
constrói a casa
dos fundos
do quintal
sótão depósito vira refúgio
juvenil
com escada de mão subindo
até o telhado 
a ver o terreno vizinho
sem quintal
sem minhocas para criar
num pote de mel
das abelhas vicinais
demente que diz
ter uma arma
mentira, demente
é uma parede preta
 - nunca tinha visto uma parede cor preta -
que descasca
e no banho de chuva no verão
das férias
forma arco e cor
aprendi mais física com meu avô que estudou até a quarta série do que com os doutorados do colégio