quarta-feira, novembro 25

Soníloquo

nossos movimentos extorquiram do teu pescoço o cheiro e transferiu para minha boca 
teus lábios pintados a rubro manchando o vestido de flores azuis
flora azul-escarlate
ecos tormentam em uníssono
beija!
pega!
rasga!
não te rasgo pois te respeito mais do que o desejo do sono
teus fios são
minhas mãos têm
embaraços e pede-me
prender os cabelos e
teus punhos
me arranca o lábio que de sangue
escorre mensalmente quente vivo
pinta a boca de azul
tule voal seda tua pele
te me rasga ao meio
num grito abafado
desce cheiro dentre as coxas
a língua percorre o gosto em gozo
afaga
arfava
algarve em mar flutua
boia
beija
brinco de pérola reflete
vermelho azul e branco