sexta-feira, junho 19

é a casa azul, esquina da rua Recife

vem do alto em tormentas de vento e bate no teto de zinco
não antes da centésima milésima gota a casa é acordada pela sinfonia
são somente os pequenos ouvidos sensíveis à colisão pingo-zinco-zinco-pingo
brilho relampeado escapa por entre a folhagem do quintal e já não há sono
a procura pelas chinelas range o chão de madeira avó
canção da ventania por entre as paredes curvas tão bem desenhadas, mas não com esse fim
gota e zinco percutem enquanto o ar se move em música
ouve-se borracha abrindo passagem no asfalto molhado em velocidade
o cão geme ao som de trovões
breu tamanho que só se vê olhos de cão e a cortina de água pela luz do refletor urbano
reconfortantes são os sons da chuva
adormece no parapeito da janela semi aberta, as chinelas pendem nos pés
o retorno do silêncio desperta os mais velhos
dá-se início à busca pelo sonho perdido
do beiral pingam as últimas notas de chuva
em duas horas já é manhã no Paraná

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