quarta-feira, maio 20

Males da mente & desafios

Você está em uma caixa. Ela não ter cor. Não tem textura ou materialidade. Ela nem sequer existe. Mas você está dentro desse caixa e ninguém te colocou lá. Ela surge como um domo em volta de ti e não te perguntaram e nem te deram motivos para estar dentro dela. Você está em uma caixa. A caixa aperta, mas seu corpo ainda se mexe. Seu corpo mexe tentando livrar-se do limite invisível que ela impõe, mas o limite não cede. O ar não está rarefeito, contudo você não respira. O peito pesa como se houvesse uma rocha sobre ele, porém está livre, e pesa, e dói. O corpo assume repetições de movimento na esperança de que algum o liberte. Arranha, coça, levanta & senta, aperta os cabelos, puxa peles, arranca fios. O corpo se desespera por não se livrar da caixa e ela engrossa, inviolável. A mente já não reflete. A mente se perdeu no momento em que criou a caixa. O limite é fruto da mente e a exclui de todo processo de libertação. Teu corpo tenta alcançar a mente que está do lado de fora a voar tão rapidamente, mas não se liberta da caixa. O coração dispara e entra em arritmia. Quer pular do peito, sair da rocha, rompe-la e fugir de tudo. No entanto mal tem forças para bater e de tão rápido parece parar. A caixa é uma bolha. Se alguém estende a mão e toca a bolha, atinge o peito e o domo se espatifa no chão. É como se nunca tivesse existido. A caixa é um pedido de ajuda. O estender da mão é o abraço, o carinho, a preocupação, o importar-se. É algo específico que se precisa ouvir e que também não sabe. Não é por carência, é por desespero. É a crise. É ansiedade. A ansiedade é uma caixa em um ciclo que não se pode quebrar sozinho.

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