quarta-feira, julho 30

Sobre o voltar depois do ir

Duas semanas depois de voltar pra casa, meu quarto parece vazio. O que está aqui já significa muito pouco ou nada para mim. O que vejo são excessos e pesos extras. Com poucas exceções, poderia me livrar de tudo. As memórias, os sentimentos que me trazem não me são mais borboletas. Acho que finalmente aprendi a viver o presente. Eu tenho vivido um dia após o outro, mas minha vida anda chata. Não sei o que esperava depois desse ano em que nenhum dia foi igual. Não sei o que esperar da vida. Tento fazer mil planos, querendo planejar o futuro, mas já não consigo viver o futuro como antes. Eu quero o agora. Quero ver a vida acontecer agora. Não quero mais esperar pelo fim de semana, pelas ferias de verão, por quando eu me formar. Quero que cada dia faça parte da minha vida, como foi nesse ultimo ano e como nunca havia sido antes. Escrevo para não perder esse sentimento, pois sinto que a qualquer momento vou esquecer dessa sensação e voltar a quem eu era. Eu não quero! Não me deixe voltar ao meu antes! Aprendi e vivi tanto nos últimos 12 meses que não dou conta de processar, de guardar tudo e de lembrar depois. Morro de medo de esquecer. Talvez o medo já seja motivo o suficiente para lembrar a mim mesma de tudo o que aprendi. Gosto de mim há como muito tempo não gostava e sinto que não me encaixo mais aqui. Meu lugar ainda está aí, em alguma parte que eu ainda não descobri. Não é Copenhague, não é Rio de Janeiro. É longe mas é perto. É lá e aqui. Sinto vontade de sair e não voltar, simplesmente pelo sentimento de deixar coisas para trás, assim como cada lugar se deixou um pouco dentro de mim. Aprendi a lidar com o partir e partir nunca pareceu tão fácil. Não vejo mais barreiras físicas ou mentais. Não tenho mais correntes e nada me prende ao chão. Por isso que eu quarto, de tão cheio me parece vazio e pesado. Sinto que ele me prende e exige de mim um comprometimento com o passado que não sinto mais. Não quero tantos bens, não preciso de tantos livros muito menos dessas roupas. Quero viver minimalista. Me dê uma mochila e uma câmera fotográfica que eu vou rodar o mundo.

terça-feira, julho 29

Sobre andar e mundo

Minha mãe reclamava
Desde minha meninice
Que eu tinha pregos na sola 
Arrastava tudo pelo caminho
E não levantava os pés para andar
Mas hoje, mãe querida,
Saiba que carrego comigo um tanto
De terra, grama e coração
De todos os lugares que fui
O que não seria possível
Se meus pés não roçassem o chão

terça-feira, julho 22

Da viagem

O grande problema da poesia
É ser sem vergonha
E atirar assim sem aviso
Meus sentimentos pelo mundo

segunda-feira, julho 7

Vida normal

Janelas brancas 
Porta azul 
Escada caracol 

Sala com fotografias
Casa de cachorro
Balanço no quintal 


Uma árvore com nome
Um esconderijo secreto
Dois ovos de rouxinol


Luz da manhã na janela
A risada dos três filhos
Borboletas no beiral


Chico faz um desenho
Toni me dá um beijo
Cissa, um girassol


Sol para dar sombra
Terra para dar lama
Seu sorriso lendo o jornal


Quero essa folga:
Domingos de chuva,

Sábados de sol.