quinta-feira, maio 22

por três segundos

a capa vermelha nas mãos 
falava de segredos que sempre soube 
e ninguém nunca contou
os pés tocavam o chão
nus
descalçados
roçavam a grama 
e há muito tempo não apreciavam roçar
cada dedo abraçando uma folha
e não sentiam cócegas
o calor que dominava o corpo
vinha do céu
do infinito
do pano de fundo azul que brilhava
e aquecia
a pele queimada gritava de satisfação 
 - é verão! 
e ficou feliz em ter sardas
e foi grata por não ser capaz de encarar a luz
era feliz porque sentia
e sentia todos os sentidos ao mesmo tempo 
completava sem transbordar
e enfim sentiu-se bem 

chão verde fundiu-se com a camisa branca

quinta-feira, maio 15

entalado

tanta coisa acontecendo nesse quarto
nessa cama que não é minha
na minha cabeça, redemoinho
nada sai, tudo fica
enche, mas me esvazia

me transborda ou me cala!