segunda-feira, março 31

Primavera muito ao norte do equador

quase comecei
mais um poema com "se"
quando vi pela janela
o dia.
não havia lugar
para suposição.
tudo já estava ali.
me tirou as palavras
e se fez fotografia:




quinta-feira, março 6

De janeiro, completo

As janelas choram uma música
Que antes pertencia ao seu canto e meu ouvido
Enquanto o vento espalha as lágrimas
Que você deixou pra mim

(O presente que aceitei
Porque veio de você)

As minhas costas se desdobram
Para tentar fechar
O que as palavras abriram
Mas arde e sangra em forma de chuva

Uma carta sua que não é para mim
Veio molhada pelo correio
E demorou quatro anos
De um verão que não chega nunca
- na minha vida ou nesse país -
Para ser aberta por você

Nunca achei que uma palavra
Fosse soar tão estranha
Mas a única que encontro para você
É fim.

E isso nem seria uma rima,
Só uma solução.

__________
Sem aquele pensar de novo que nos fazem editar tudo.

sábado, março 1

Sonho

Um banho
Sem roupa
Corpo seco
A pele
Brisa fria
Arrepios
Minhas costas
Seus dedos
Macios
Deslizam
Contornam
Desenham 
Dois olhos
Quatro olhos
Fechados
Respiram
Exalam
Você 
E toda essa eternidade.