terça-feira, dezembro 13

Sobre férias

Eu sou louca, eu odeio férias. 

Se eu não estiver viajando para um lugar que eu curta muito, eu realmente não gosto de férias. Durante o resto do período eu escondo minha incrível incapacidade de me soltar na rotina do dia-a-dia, nos meu estudos e meu gosto por eles, nos meus trabalho e o meu inegável talento para aquilo que eu faço. Mas eu não tenho talento para ficar de férias. Fico triste nas férias porque me sinto vazia. Não consigo me ocupar e acho que todos estão super ocupados se divertindo e tendo os bons momentos das suas vidas. Então eu começo a pensar que eu nunca tenho bons momentos na minha vida - o que, eu sei, depois, que é mentira - e tento achar um motivo. A culpa é dos meus amigos, que não gostam de mim e por isso não me convidam para nada. É mais minha, porque não sou legal o suficiente para conquistar as pessoas, cativá-las profundamente, fazê-las sentirem minha falta. É minha porque eu não corro atrás e porque eu só sei reclamar. E então eu me odeio, eu e a minha maldita personalidade restrita, que não se mostra, não se liberta, não se permite. E me sinto mais infeliz ainda por me sentir tão idiota, impotente, boba e velha. Então eu não nasci pra ser jovem - isso pode acontecer? -, do mesmo jeito que eu não tinha nascido pra ser adolescente - mas eu adorava ser criança, eu acho - e então eu penso que vou ser mais feliz quando for velha. Mas eu sei que eu não vou. Porque, quando eu for velha, eu vou pensar que eu não aproveitei minha juventude e serei infeliz por conta disso. Vou ver o que eu perdi - e o que eu tenho consciência que não estou fazendo (ou acho que não estou, eu nunca sei) - e vou ser infeliz. Então eu sou predestinada a ser infeliz por causa dessa minha personalidade fechada. Eu odeio isso e eu não quero ser assim. Eu não sei mudar. Há pouco tempo me ocorreu do meu professor de Projeto de Arquitetura II me dizer que meu projeto era contido, como eu. Que eu precisava me soltar se quisesse alcançar todo o potencial dele - e meu. Pasmei. Meu professor, que me conhece há 4 meses, me descreveu perfeitamente: contida. Ele me mandou ir fumar maconha ou tomar um porre. Eu só pensei - claro, eu sou contida, não iria ir tomar um porre em pleno final de semestre. Uma semana depois tivemos uma conversa parecida, e eu disse a ele que doía, doía muito me soltar, e ele riu, e disse que era assim mesmo. Acho que ele gosta de mim, como aluna. Adoro ele como professor. Nunca vou esquecer isso. E agora já acabou o semestre e eu não mudei. Eu continuo achando que as pessoas não gostam de verdade de mim, por mais que eu tenha certeza que elas gostem um pouquinho - e esse é o problema, acho que ninguém se atreve a penetrar nessa barreira que eu fiz, a fim de gostar profundamente de mim. Eu tenho um papel secundário na vida de todos eles. E eu já ia me esquecendo o tema: que eu fico infeliz nas férias, principalmente nas de verão. Mas talvez esse seja o menor dos meus problemas...

quarta-feira, novembro 16

Ao amanhã e além

Sabe, amor, nossa conversa de hoje me fez pensar em várias coisas. Também quero mudar e quero me achar nesse mundo. Percebi que estou precisando me engajar com alguma causa, achar algum sentido nas coisas. Sabe aquilo de "possuo uma espiritualidade independente de religiões"? Pois então, não anda funcionando tão bem. Cansei de ser passiva, imparcial, apolítica, agnóstica, apática. Quero relembrar quais são minhas verdadeiras convicções e admiti-las, sem medo da opinião alheia. Quero me impor e parar de velar por uma imagem de queridinha. Quero ser mulher e falar alto que eu posso ser adulta, sim. Quero mostrar que beleza e inteligência combinam e quero ser mais simpática e sociável. Quero ser sexy e te deixar de boca aberta. Eu quero mostrar para meus pais que mereço confiança e respeito.

Sabe, eu consigo.

quarta-feira, agosto 24

P

Multiplicar seus eus.
Experimentá-los sendo seus.
Projetar-me em outros teus.
Extinguir os que eram meus.
Reduzir-me a um seu.
Desistir do que era um meu.
Indagar quem sou eu?

sexta-feira, abril 8

Oito de abril

Primeiro, vi lábios rubros
Olhos azuis fitando um livro
Mãos seguras virando páginas
Uma luz branca ressaltando a pele.
Sorriu-me com a leveza de quem diz:
“Olá, aproxime-se”

Sentei-me ao seu lado e então vi
Os lábios mordidos por dentes nervosos
Os olhos concentrados em não chorar
As mãos trêmulas e os dedos inquietos
Uma luz que a cegava.
Sorriu-me com a tristeza de quem diz:
“Por favor, me ajude”

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Não consigo sumir, incrível.