sexta-feira, janeiro 29

Das coisas

Isso de fazer dezoito anos faz a gente se sentir - nem que um pouquinho - velha. Achei que tudo iria passar correndo depois dos quinze, mas agora tenho certeza que o tempo vai fugir do controle. Eu não escrevi alguma coisa publicável desde o ano passado. Isso angustia e me faz pensar no que eu gosto, no que eu nunca vou deixar de gostar. O fato de eu ter escolhido uma profissão, cujas específicas eu quase negligenciei - na medida do meu possível - durante o ensino médio, só porque, quase magicamente, eu me identifiquei com ela como se fosse a tal da minha alma gêmea também me faz pensar. O que eu amo, indiscutivelmente, é criar e eu jamais trabalharia com algo que não me proporcionasse isso. O processo criativo, o ter idéias, o tal brainstorm, o finalmente colocar no papel, ver concreto o que você imaginou é sensacional - e eu cheguei à conclusão de que quero e posso viver disso! Para quem pensou a vida toda que trabalhar tinha que ser desvinculado de prazer essa foi uma descoberta e tanto.

Um filme que eu vi, Amor Sem Escalas (Up in the Air), e essas constantes ameaças do fim do mundo – que, vale ressaltar, existem desde sempre – também me fizeram refletir. Não sei bem o que me basta, mas existem várias coisas que eu amo muito, que me fazem bem e me enchem os olhos. José Paulo Paes, Cecília Meireles, Zeca Baleiro, Engenheiros do Hawaii, certos papéis, uma câmera fotográfica e alguns gigabytes, mate gelado com limão, Michael Sowa, Escher, viajar, projetos, inventar, criar, aprender, saber. A questão não são as coisas essenciais para mim, eu incluiria as pessoas que eu gosto também. São coisas criadas por gente e que alimentam a vida de outros. Acho que uma das melhores sensações que existe é a de ver que algo que você fez, pensou, idealizou, se encaixa perfeitamente no sentimento, solução ou mesmo problema que alguém procura. Talvez seja outro motivo pra eu ter escolhido o que escolhi pra minha vida – além do memorável fato de que eu vou mexer com todas as áreas do conhecimento e de isso me entusiasmar muito.

Eu nunca vou cansar de observar e fazer anotações mentais de tudo o que eu vejo e, enquanto eu puder fazer isso - mesmo que prevaleça essa sensação de falta de ferramentas para terminar meus projetos – eu vou estar muito satisfeita. Há só uma coisa que me incomoda profundamente: eu não vou viver o suficiente para ver o caminhar das idéias e das invenções, o desenvolver do mundo, e nem vou poder saber tudo o que há para saber. Depois disso posso dizer, com convicção, que o mundo me encanta e é isso que, no fundo, me move.

"Como o céu refletido nas pupilas do um cão"

2 comentários:

  1. Ai, amiga... não sei o que dizer. Sei que arquitetura entrou na sua cabeça e agora não quer mais sair, mas tem certeza de Desenho Industrial não é a sua real alma gêmea?

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  2. E, no fim das contas, eu queria ter escrito esse texto. Umpf. haha

    Aliás, esse negócio de escolher curso com matéria que a gente não gosta pode matar a gente, viu... Falo por experiência própria... Se bem que é arquitetura, é diferente do que eu fiz... Mas vale pensar direitinho :)

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