segunda-feira, agosto 10

Tudo Titubeia

Não me peça que decida
pela luz e esplendor.
- Bailarina equilibrista
de um circo de horror.

Não me obrigue a encenar
o papel de um juiz.
- Pássaro de uma perna,
de voador, só aprendiz.

Não me ponha a escolher
entre a vida e a morte.
- Além desse punho firme
há uma faca sem corte.

Não tente me convencer
pelo não ou pelo sim.
- Parece-me mais cerâmica
que uma pedra de marfim.

Não se irrite ou se apresse
com a minha indecisão.
Ainda escolho o jogo,
mas tenho cartas à mão.

Não quero também que pense
num processo infinito.
Quanto mais afino o muro
menor com meus passos fico.

6 comentários:

  1. Que delicia de poesia. Parece o deslizar suave de uma cachoeira.

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  2. Posso dizer que o Bruno tirou as palavras da minha boca? Hê.
    Adorei. Você está cada vez melhor!

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  3. Equipe Atelliê passando pra parabenizar pelo blog e pela linda poesia :)
    ;*

    Lívia.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Boa, gostei. Atento para o último verso da primeira estrofe, você escreveu "se" em vez de "de". :B

    Mas adorei, você tá ótima.

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