sábado, dezembro 6

Cuidado: tóxico

Dia de despejamento. Certifiquem-se de estarem usando seus óculos de proteção e de lacrar bem a porta de segurança. Enjoy your stay.


Não sei se adianta mais tentar, acho que minha suposta vida social nunca vai deixar de ser insatisfatória e - para conter palavras - uma merda. Desde que eu descobri o que certas palavras querem dizer - como introvertido e anti-social - e que, mais que ocasionalmente, elas eram atribuídas a mim, eu tenho lutado contra isso. Lutei contra minha personalidade, meus pontos de vista extremistas, meu comportamento, meus gostos, meus preconceitos, só pra ver se dava pra ser um pouquinho mais feliz. É, até que dá. Mas o que mais parece é que essas conquistinhas sempre foram ilusões. E adivinha o que acontecem com ilusões? Elas acabam, que peninha. A pergunta é: será que vale a pena querer se adaptar aos outros? Às pessoas? São poucas, e muito muito poucas, as pessoas que eu gosto realmente; geralmente eu não gosto de pessoas. Pessoas fazem mal, a vida de muita gente me faz mal - não que eu deseja a morte de ninguém, só podiam viver longe de mim. Talvez eu que devesse ir viver bem longe de toda essa gente.


É curioso como somente a vida de pessoas da minha idade me incomodam. É difícil, às vezes, conter aquele verme branco que se torna verde aos poucos - ou incrivelmente rápido, a não ser que uma boa racionalização comece por aqui. Inveja é desprezível, suja, pecado; gente invejosa nunca se dá bem. Ótimos estereótipos, criados por muitos hipócritas que nunca devem ter tido coragem de assumir tal sentimento. Acabamos sentindo nojo de nós mesmos por tudo isso, mas é um sentimento como qualquer outro. Sempre me incentivaram a sentir as coisas, a expressar as emoções, já que eu sempre fui uma criança que, aparentemente, não sentia - exageros a gosto do leitor -, mas é tão fácil falar só das coisas lindas como o amor, compaixão e sinceridade. Do lado sujo do ser humano ninguém quer falar, com tanta coisa ruim em todo o mundo para que olhar para dentro, não é? Eu sinto inveja; duvido de quem diz que nunca sentiu. Ó, santa pureza, merecedora de misericórdia, você irá para o Céu.


Eu, como pessoa desprezível como só eu poderia ser, não devo merecer realmente atenção. Para que se importar? É só começar as aulas novamente que a ilusão volta e tudo fica feliz e cor de abóbora como sempre. Eu já disse várias vezes que odeio férias, em diversos contextos, e a cara que fazem é que eu deveria ir para o hospício. Eu gosto de ir para a escola. É um refúgio. Estão aí explicadas todas minhas notas boas. Coincidentemente elas começaram a aparecer quando eu comecei a pensar sobre mim, estranho, não é mesmo? Já que eu nunca fui o que pudesse chamar de amigável as notas devem ter sido um jeito que eu encontrei de me sobressair. Até que eu ando indo bem – não dos dois lados, é claro. Perfeccionismo é uma coisa maravilhosa e triste ao mesmo tempo. Talvez os perfeccionistas nunca serão plenamente felizes (na verdade, muitos de nós não acreditamos muito nessa tal difamada felicidade). A vida das pessoas só me faz mal quando eu estou em casa. Pelo menos a da maioria delas. Eu não gosto das pessoas por que elas não gostam muito de mim ou elas não gostam de mim por que eu não gosto delas? Quem é o culpado nessa história toda? Tem que ter um culpado, um ponto de partida? Quem um dia disse que socialização faz bem? Quem é que comprovou o contrário? Quem sou eu para questionar qualquer coisa, não sei nem cultivar um dos responsáveis pela nossa evolução, essa bemaldita socialização entre seres da mesma espécie. (Só para constar, eu me dou muito bem com cachorros, cavalos, gatos, passarinhos, minhocas, joaninhas, caracóis e bebês e etc - eles não falam.).


O ponto - não necessariamente alcançado - é que eu preciso que gostem de mim, preciso de atenção, ou um pouquinho de motivação, ou preocupação, ou reconhecimento, ou entendimento, ou carinho, ou telefonemas, ou e-mails, ou perguntas de se tudo está bem. Quando eu era criança meus pais talvez suprissem toda essa carência. Não dá mais, essa coisa movida a potássio me diz que não é o suficiente. Talvez nunca será – espero que não.

4 comentários:

  1. Bem... penso como você (Tirando a parte de ir bem na escola, troque isso por música e/ou atividades paralelas envolvendo eletricidade)

    O legal é ignorar as questões, acreditando que nunca chegaremos a verdades absolutas e então só gastar cérebro nas coisas divertidas. E fique tranqüila, sempre temos quem goste de nós, apesar de anti-sociais.

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  2. Acho que devíamos explodir a Terra.
    Sabe, isso acabaria de vez com o problema das pessoas. Mesmo!

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