segunda-feira, novembro 17

Tudo tem cor


Segunda-feira é azul do céu e sexta é vermelho escuro; terça-feira é laranja, quinta é amarelo e quarta um lilás meio branco gelo, quase azul de roupa de bebê. Sábado e domingo são branco e preto, preto e branco.

Os números pares são azul Royal. Zero é preto. Os ímpares são vermelho vivo. Menos o um; o um é branco.

Inglês é azul claro, português é azul escuro e alemão é rosa salmão, tipo parede de avó. Geografia sempre foi roxo e história sempre foi cor-de-envelope-pardo, mas nunca foi pardo. Matemática é vermelho cor-de-tomate e biologia todos os tons de verde juntos, em degradè.

Engenheiros do Hawaii é magenta, Legião Urbana é azul petróleo e Paralamas do Sucesso é laranja cor-de-terra. Paul é verde, John é azul chiclete, George é rosa, Ringo é amarelo. Se estivessem todos juntos, seriam todas as cores que existem, menos as feias e as tristes.

Lucíola vai do dourado ao cinza azulado, passando por verde musgo e pelo vermelho rosado, meio rosa avermelhado. Gonçalves Dias é verde e marrom, mas também é vinho, como capa de livro antigo; Goethe é laranja cor-de-laranja. Machado de Assis só poderia ser marrom, marrom clorídrico. Ubaldo é cinza – vai ver é culpa das páginas do jornal. Clarice é indescritível, insaciável, incompreensível, inodora e incolor, mas tem gosto de simpatia. Meu caro Jung não me deixou escolher cor.

O império é amarelo dourado e a república é azul arroxeado. Anarquismo é vinho avermelhado e socialismo é quando a neve se mistura com o azul do dia de céu mais límpido. Capitalismo é branco com bordas pretas e grossas, com um ponto final quadrado.

Para mim, tudo é cor. E a cor que eu queria ver agora é um verde azeitona, meio amarelo de folha seca e quase marrom, daquele que só aparece no outono. São esses olhos que eu amo.

__________

O caixão não foi suficiente pra segurá-lo, ele quis voltar. Entenda como quiser.

7 comentários:

  1. Você mudou esse texto, né?
    Eu gosto muito dele, adoro a idéia gay das cores.
    Muito bem escrito.
    Mas se a "Clarisse" à qual você se refere é a Lispector, a grafia correta é "Clarice"
    Se não for, desculpa, eu sou idiota. Mas é a única na qual eu consegui pensar. :B

    ResponderExcluir
  2. Mas, Gi...
    Eu esqueci de uma coisa:
    Eu AMO esse texto, mas eu passei a odiar esse final. Não faz bem.
    E mesmo riscado, ele está lá.
    Por favor, pare com isso.

    ResponderExcluir
  3. Eu arrumei o nome dela :B e eu aumentei o texto sim haha
    E eu sei que ele está lá, só não queria que estivesse... não quis tirar por que gosto dessa descrição, sei lá. talvez fosse melhor tirar

    ResponderExcluir
  4. Desde que não seja só do texto

    ResponderExcluir
  5. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  6. Bom, eu provavelmente não saberia quem são cerca de 97% dessas figuras. Não é um ponto de referência muito bom para todas pessoas. Isso é segregação =/

    Quer saber? Odeio cores. Elas fazem questão de confundir minha cabeça e aparecer diferentes do que realmente são pra mim.

    ...que nem as pessoas no mundo real.
    Deus, como sou só =/

    ResponderExcluir
  7. Gostei do texto, ms me senti frustrado em um ponto: nunca vi um chiclete azul, que eu me lembre. Caso eu já tenho visto, eu também não sei o que é magenta, azul-petróleo, azul Royal (???????), etc

    ResponderExcluir