domingo, outubro 26

Surfando em Márquez e Ferreira Gullar

Há algum tempo descobri que para ler precisa-se de coragem. Só os corajosos se arriscam a entrar no mundo totalmente desconhecido que é abrir um livro novo e só os realmente destemidos agüentam o fardo de chegar ao fim dele. Desistir de um livro é o mesmo que abrir mão de um tesouro há muito desejado e que está prestes a ser descoberto; é morrer antes da hora por não achar que a vida valha a pena; é desprezar todo o trabalho que o autor teve para expor com tanta veemência tudo o que idealizou.

Toda vez que começamos a ler uma nova história é um misto de ansiedade e medo que toma-nos por inteiro - e isso pendura por alguns capítulos, até nos acostumarmos com a idéia de um novo universo à nossa frente. É insegurança de não se sentir confortável por simplesmente não saber o que virá na próxima página. Quando me aparece um flashforward sou arrebatada por uma curiosidade tão grande e uma vontade tão devastadora de chegar logo ao fim que a história passa correndo pelos meus olhos, como se eles lessem sozinhos e absorvessem tudo o que aquelas palavras querem passar.

Para querer experimentar todos esses sentimentos e chegar ao fim para ler a última palavra da última frase naquela tão desejada última página de um livro, tem que ter coragem. Não é qualquer leitor que agüenta a perda de um personagem querido, a vitória do vilão, a revelação do maior segredo que desenrola toda a história ou mesmo o fim. Enfrentar o fim de um livro é o mesmo que enfrentar a morte, sentir o gosto de que tudo acabou e gostar; gostar do fim e aceitá-lo por completo. Por mais que possamos reler um livro quantas vezes quisermos não haverá o mesmo gosto da primeira vez, não sentiremos aquele frio na barriga ao abri-lo e nem aquela ansiedade com o final. É como ver a foto de uma pessoa que já morreu: pura nostalgia.

Ainda bem que, na falta de algo melhor, nunca me faltou coragem.

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Onde foi parar todo mundo?

sexta-feira, outubro 10

Istmo do populismo

Todos......iguais
todos.....iguais
todos....iguais
todos...iguais
todos..iguais
todos.iguais
todosiguaistodosiguaistodosiguaistodosiguais
...!


(Tão desiguais)

domingo, outubro 5

5/10

Só citando algo que estava em algum lugar do jornal de hoje:

"Democracia é como nadar. Aprende-se praticando."
Hatem Abdel-Hadi