terça-feira, setembro 23

Ilhados


Contraditoriamente à tendência cada vez maior da expansão mundial, que quebraria fronteiras políticas e daria origem a uma aldeia global, nós estamos implodindo. Digo nós porque, se fossem somente os frios europeus seriam eles, e, se ocorresse apenas comigo, certamente seria eu. Nesse mar de gente nos transformamos cada qual em uma ilha, lutando para manter nosso coqueiro mais verde e nossa areia mais branca a cada dia.

Auto-excluir-nos da vida social pode ser interpretado como um mecanismo de defesa do ser humano. Abstendo-nos dos problemas sociais à nossa volta, acabamos com o Mal da Consciência Pensada, garantindo assim nossa saúde mental e contribuindo para a perpetuação da espécie (seguindo à risca a lei da seleção natural).

Essa propensão humana à solidão acarretará sérias consequências à sociedade nos anos vindouros. Com o claro esboço que temos hoje, já podemos dimensionar a situação daqui a alguns anos. Ela é parecida com a das galáxias: uma força antiga as repele cada vez mais e chegará a um ponto em que só haverá duas opções. Julgando o universo finito, baterão em sua parede e voltarão umas para as outras; supondo o contrário, se distanciarão a tal ponto que não tomarão ciência das demais e serão verdadeiras ilhas universais.

Seja qual for o destino da humanidade, não podemos culpar alguém mais do que a nós mesmos pelo caos que está por vir. “Cada um por si” sempre foi a frase mais desesperançosa dos heróis nos filmes de guerra, considerando que poucos saíram vivos depois dessa cena. Não é de nossa natureza viver só, senão seriamos hipopótamos e não humanos.

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Desenterrando textos velhos, por que é assim que tem que ser.

sexta-feira, setembro 19

Seu Pandeiro, o Padeiro

Corre o tempo, e eu só desejei que ele parasse de vez. Que congelasse, nos meu cinco anos de brincos de pressão da vovó e pique-esconde com o Seu Pandeiro, o Padeiro. A idade em que eu ainda respeitava as palavras-cruzadas do vovô, uns dois dias antes de assistir à Linha Direta e descobrir o quão frágil poderia ser a vida. Antes de ter medo até de faca de cozinha, e antes daquela noite de estômago revirado porque, mãe, eu não quero morrer, não.
Depois daquele dia passei a ter uma sensação muito estranha. Como se o mundo fosse pequeno demais para mim, e, ao mesmo tempo, muito maior que a imagem que fizera dele até então. Mas não é um pensamento, é uma dor-de-cabeça. Que vem em ondas geladas no momento e de vez em quando. Porque ainda sinto isso algumas noites, quando não consigo dormir. É como se eu não tivesse corpo, só uma prova de mortalidade. E medo de mim mesma desiludida. O chão se abriu debaixo de mim junto com os meus olhos, algo assim. Foi difícil crescer.
Ainda é.

Seu Pandeiro, eu sempre neguei teu pão. Volta logo, que só agora percebi que tenho fome...


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Dedicado a João Salim Miguel, o Seu Pandeiro.


Desculpa, odeio esse tipo de coisa, mas acho que ele merecia.
Beijos.

quinta-feira, setembro 18

Quarenta e duas tentativas!

É bom ver que finalmente conseguimos nos unir para fazer algo que queríamos começar faz tempo. Só espero que a gente de fato faça uso desse blog, afinal quarenta e duas tentativas somente pra dar nome ao dito cujo não podem ter sido à toa. O mais engraçado é que nós três escrevemos como se uma multidão sempre entrasse aqui, quando ninguém além de nós já sabe da existência desse site... Principalmente pelo fato dele ainda só ter cerca de quarenta e oito horas de vida, né?

terça-feira, setembro 16

Eis a história, delicie-se.

Três amigas decidiram criar um ambiente calmo e aconchegante onde pudessem expressar suas idéias. Como um programa na TV é caro, e um jornal de circulação nacional, inviável, optaram por um modesto e meigo blog. Um dia, porém, entre tantos outros problemas que assolam a vida dessas meninas, veio o nome do blog. A incessante busca por algo que as descrevesse ao mesmo tempo em que transmitisse aos outros suas filosofias de vida não chegou a lugar nenhum e a criação do seu canto aconchegante ficou paralisada. Depois de várias retomadas do assunto, discussões frenéticas e alguns murros e chutes percebeu-se que nada poderia compreender tudo o que elas queriam dizer. Nisso, a busca de nome já estava na sua 42ª tentativa. Eis o blog.

Oi

Oi, o nome do blog é esse porque... sei lá, a Giordana vai explicar, eu só queria inaugurar, visto que sou a mais importante das integrantes do blog.

É isso, adieu.

P.S.: O nome não tem um porquê pornográfico, depois eu pensei nisso, mas não vou mudar agora que está pronto.

P.S. 2: A Giordana é um anjo ingênuo e não entendeu o "porquê pornográfico". Para todos que apresentam a mesma inocência, me refiro ao fato de que, às vezes, as pessoas precisam de várias "tentativas" para "conseguir".

P.S. 3: Putz, acho que sou muito maldosa, esqueçam tudo isso, deixa a Giordana falar. Digo, escrever.